Vila Real acolhe o primeiro Campeonato Escolar de Puzzles do país

Vila Real recebe, a 25 de fevereiro, o primeiro Campeonato Escolar de Puzzles do país. Ao Conta Lá, a Associação Portuguesa de Puzzles e a escola anfitriã explicaram os objetivos e o impacto esperado da competição.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
24 fev. 2026, 08:00

A criação do primeiro Campeonato Escolar de Puzzles partiu de uma iniciativa da Câmara Municipal de Vila Real, através de Carlos Teixeira, Técnico Superior do Desporto da Divisão de Educação e Juventude, que lançou o desafio às escolas do concelho para acolher uma competição estruturada em contexto escolar.

A Escola Monsenhor Jerónimo do Amaral foi a escolhida para receber esta primeira edição, que acontece a 25 de fevereiro, envolvendo alunos dos vários agrupamentos e assumindo a organização local da prova. Ana Paula Ribeiro, professora e coordenadora da escola, explicou ao Conta Lá que, nesta primeira edição, participam estudantes entre o 5.º e o 12.º ano.

Do lado da Associação Portuguesa de Puzzles (APPZ), a origem da iniciativa está ligada ao entusiasmo demonstrado pelos jovens em eventos anteriores. “A ideia partiu do município de Vila Real, no seguimento do II campeonato de Puzzles que se realizou em maio de 2025. Durante a preparação daquele campeonato, os alunos dos quatro agrupamentos de escola de Vila Real estiveram envolvidos na montagem de um puzzle gigante, de 18.000 peças. O envolvimento e empenho de crianças e jovens na montagem do puzzle foi tão grande quanto o puzzle em questão. Esta motivação não se podia perder”, elucidou Dulce Pereira, presidente da associação, ao Conta Lá.

"A Associação Portuguesa de Puzzles foi responsável pela coordenação desta iniciativa em conjunto com a divisão de desporto da Câmara Municipal de Vila Real, definição do regulamento, seleção dos puzzles para a iniciativa e supervisão do cumprimento das regras. Teve também um papel ativo na articulação com parceiros institucionais", acrescentou.

Ass portuguesa de puzzle

 

Do contexto escolar ao crescimento do “speed puzzling” em Portugal

O campeonato pretende ir além da dimensão recreativa. “Os principais objetivos passam pela promoção do puzzle como modalidade de desporto cognitivo, através do estímulo das capacidades cognitivas (atenção, memória visual, raciocínio espacial), pelo desenvolvimento da coordenação olho mão e pela valorização de atividades que promovem concentração e persistência.”

Em contexto escolar, os benefícios já são percetíveis. Ana Paula Ribeiro sublinhou que o puzzle exige concentração, paciência e capacidade de observação, competências que considera fundamentais no percurso académico dos alunos. Segundo a docente, a atividade tem mostrado que mesmo alunos "mais irrequietos" conseguem manter-se focados quando envolvidos na montagem de um puzzle, sobretudo quando existe acompanhamento e incentivo por parte de um adulto.

A avaliação da competição será objetiva, baseando-se "essencialmente no tempo de conclusão do puzzle e no cumprimento do regulamento", rematou Dulce Pereira. Os alunos terão duas horas para completar a montagem do puzzle e serão premiados os 10 mais rápidos.” 

Quanto ao impacto académico, a presidente da APPZ considera que a prática regular pode fazer a diferença. “O treino regular de competências como concentração, organização, persistência e raciocínio lógico pode refletir-se positivamente no desempenho académico, sobretudo em áreas que exigem atenção ao detalhe e pensamento estruturado", explicou-nos.

Note-se que o “speed puzzling” tem vindo a crescer no país. “Tem-se verificado um crescimento progressivo", afirmou Dulce Pereira. "Observa-se maior participação em torneios, aumento do número de eventos organizados, crescimento das comunidades online dedicadas ao tema e maior interesse por parte de escolas e famílias.”

De realçar ainda que, "até ao momento, esta iniciativa destaca-se como uma das primeiras competições estruturadas em contexto escolar a nível nacional, o que lhe confere um caráter pioneiro.”

A intenção passa agora por alargar o projeto. “Esse é o objetivo desta iniciativa, existe a intenção de expandir o campeonato progressivamente a outras escolas e regiões, promovendo uma rede nacional que permita maior inclusão e participação.”

Da parte da escola, o desafio é assumido com sentido de responsabilidade. Ana Paula Ribeiro reconhece que a logística é exigente, uma vez que cada participante necessita de uma mesa individual, mas garante que a organização está preparada para acolher a prova e que a escola está disponível para continuar a colaborar em futuras edições.