UE aprova acordo comercial com o Mercosul

O Conselho da União Europeia aprovou esta sexta-feira o acordo comercial com os países do Mercosul. A decisão é saudada pelas instituições europeias e pelas autoridades portuguesas, que falam num passo histórico para o reforço das relações entre Europa e América Latina.
Agência Lusa
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09 jan. 2026, 17:50

Acordo deve ser assinado na segunda-feira no Paraguai
Fotografia: Acordo deve ser assinado na segunda-feira no Paraguai

O Conselho da União Europeia anunciou esta sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai). O documento deve ser assinado esta segunda-feira pela presidente da Comissão Europeia no Paraguai.

Esta aprovação foi saudada pelo ministro cipriota do Comércio, Michael Damianos, que detém atualmente a presidência do Conselho da UE, considerando que o dia marca “um passo histórico em frente no fortalecimento da parceria estratégica da UE com o Mercosul”.

“Num tempo de incerteza global crescente, é essencial reforçar a nossa cooperação política, aprofundar os nossos laços económicos e manter o nosso compromisso com um desenvolvimento sustentável”, lê-se numa nota do ministro divulgada pelo Conselho da UE.

Governo e Presidente da República saúdam aprovação do acordo

O Presidente da República saudou esta sexta-feira a aprovação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, considerando que é "um passo decisivo" para reforçar as relações económicas e políticas entre a Europa e a América Latina.

A posição de Marcelo Rebelo de Sousa consta de uma nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet depois da aprovação do acordo.

"O Presidente da República saúda a aprovação, pelo Conselho de Ministros da União Europeia, do Acordo Mercosul, um passo decisivo para o reforço das relações económicas e políticas entre a Europa e a América Latina", lê-se na nota.

Também o ministro da Agricultura aplaudiu o acordo e destacou o impacto para Portugal, que poderá agora saldar o défice com este mercado.

“Regozijo-me com esta aprovação dos Estados-membros. Quando estive no Parlamento Europeu, estive muito empenhado na concretização deste acordo, que considero muito positivo para a União Europeia, Mercosul e Portugal”, afirmou o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, em declaração aos jornalistas, em Lisboa.

O governante sublinhou que, face à situação geopolítica, este acordo é essencial, destacando “grandes oportunidades” para produtos como o vinho, azeite e queijo.

José Manuel Fernandes lembrou que existe um défice de 500 milhões de euros na balança comercial em relação ao Mercosul e que este acordo vai permitir saldar esse valor.

“Passaremos a ter uma influência redobrada não só na América Latina, como em África”, apontou.

O acordo foi ainda elogiado pelo presidente do Conselho Europeu. Numa publicação na rede social X, António Costa considera que o acordo comercial é “bom para a Europa” e traz “benefícios reais para os consumidores e empresas europeias”.

“É importante para a soberania e autonomia estratégica da UE. Com este acordo, a UE está a moldar a economia global”, refere o ex-primeiro-ministro, que acrescenta que este acordo reforça também “os direitos dos trabalhadores, a proteção ambiental e as salvaguardas para os agricultores europeus”.

O presidente do Conselho Europeu frisa ainda que o acordo com o Mercosul “demonstra que as parcerias comerciais baseadas em regras são benéficas para todas as partes”.