Transportes públicos: reclamações aumentam 14%. Estudo revela setor sob pressão
As reclamações no setor dos transportes aumentaram mais 14,32% no ano passado. O setor registou 7.622 queixas, com o transporte rodoviário coletivo a representar mais de 40% das reclamações. As conclusões constam no relatório "O Estado dos Transportes em Portugal - 2025", desenvolvido pela Consumers Trust Labs, através dos dados do Portal da Queixa relativos ao período entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2025.
O estudo evidencia que o ano passado ficou marcado por recordes históricos de passageiros, mas também por uma forte pressão no setor: há uma maior procura e os preços são mais acessíveis, mas as condições de utilização têm-se deteriorado, com a sobrelotação e os atrasos a liderarm as queixas. Lisboa (34,22%), Porto (18,97%) e Setúbal (12%) são os distritos que concentram mais reclamações.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, citado num comunicado enviado às redações, “Portugal reduziu o custo de acesso à mobilidade, mas enfrenta fragilidades estruturais na qualidade do serviço".
"O desafio para 2026 será transformar reação em planeamento estratégico, garantindo que a mobilidade deixe de ser foco de frustração e se afirme como motor de coesão e sustentabilidade”, sublinha o responsável, na mesma nota.
No caso do transporte rodoviário, que lidera as reclamações, multiplicaram-se os relatos de atrasos, longos tempos de espera e falhas de comunicação, com agravamento expressivo no verão. A Carris Metropolitana bateu o recorde de passageiros (194 milhões), mas está entre as entidades com mais queixas. Na lista de entidades visadas estão a Rede Expressos (33,61%), CARRIS, FlixBus e UNIR.
A ferrovia também registou um crescimento, impulsionada pelo Passe Ferroviário Verde. A CP - Comboios de Portugal atingiu 208,2 milhões de passageiros (+107,1% nos serviços regionais), mas foi a empresa que concentrou mais queixas no setor ferroviário (54,10% das queixas), seguida da Fertagus (19,67%). Entre os principais motivos de reclamação estão os atrasos (36,81%) e a sobrelotação/condições de higiene (25,54%).
"A frota da CP e das operadoras rodoviárias metropolitanas opera no limite. O aumento brutal de passageiros gerado pelo Passe Verde e pela Carris Metropolitana expôs a falta de manutenção e a necessidade urgente de novos veículos", conclui o estudo.
Já no transporte aéreo, houve uma subida moderada de 2,86% nas reclamações, mas a satisfação recuou 11,75%. As companhias mais visadas foram a TAP Air Portugal (28,10%), Ryanair (22,22%), EasyJet (10,62%) e SATA Air Açores.
O transporte marítimo duplicou reclamações (+112,50%), sobretudo na Transtejo, afetando pendulares da Margem Sul.
No TVDE e táxis, as reclamações caíram 1,05%, mas continuam concentradas na Uber (66,60%) e Bolt (28,60%), sobretudo por cobranças indevidas e reembolsos (53%).
Apesar da subida global das reclamações, o barómetro aponta melhorias: o tempo médio de resposta melhorou quase 20% e a satisfação média aumentou.