Praia da Vitória: envelhecimento obriga a criar mais 650 vagas para respostas sociais

A Praia da Vitória, nos Açores, vai precisar de mais 650 vagas em respostas sociais para idosos até 2033, para manter as atuais taxas de cobertura. A conclusão é da Carta Social do concelho, que alerta para o rápido envelhecimento da população.
Regina Ferreira Nunes
Regina Ferreira Nunes Jornalista
15 jan. 2026, 16:59

Mão de um senhor mais velho apoiado numa bengala
Fotografia: Carta Social da Praia da Vitória alerta para a necessidade de reforçar respostas sociais para idosos

O concelho da Praia da Vitória, nos Açores, necessita de mais 650 vagas em valências sociais para idosos até 2033, para manter as taxas de cobertura atuais, segundo a carta social do concelho apresentada, esta quinta-feira.

“Na Praia da Vitória, a evolução dos mais idosos tem sido maior do que no resto da região. Temos, neste momento, praticamente uma inversão da pirâmide etária”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o consultor da empresa Fundo de Maneio, Gualter Couto, responsável pela elaboração da Carta Social da Praia da Vitória.

Segundo os Censos mais recentes, entre 2011 e 2021, o número de jovens até 18 anos no concelho baixou 22,2%, enquanto o número de idosos acima dos 65 anos aumentou 24%.

A Carta Social da Praia da Vitória para o período entre 2025 e 2029, apresentada esta quinta-feira, identifica como principal necessidade no concelho o reforço das respostas sociais para a população idosa.

O serviço de apoio domiciliário tem atualmente uma taxa de cobertura de 8,7%, percentagem que está acima da média regional.

Só para manter essa taxa, o estudo prevê que sejam necessárias mais 115 vagas até 2029, a que se somam outras 64 até 2033.

Nas restantes respostas sociais para idosos, a taxa de cobertura é inferior à média dos Açores.

Os centros de convívio têm uma taxa de cobertura de 8,7% e para mantê-la necessitam de mais 125 vagas até 2029 e outras 67 até 2033.

Já no caso dos centros de dia, a taxa de cobertura é de apenas 0,7%. Está prevista a abertura de 25 vagas até 2029, mas o estudo identifica a necessidade de 145 até 2029 e outras 19 até 2033.

Também nas estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI), que têm custos mais elevados, foi identificada a necessidade de reforço de vagas.

Neste momento, a taxa de cobertura é de 2,1% e para mantê-la são precisas mais 98 vagas até 2029 e outras 17 até 2033.

“Sabemos que é investimento relevante e é importante precavermos essas necessidades futuras”, salientou Gualter Couto.

Nas respostas para a infância, o diagnóstico é mais positivo. Nas creches, a taxa de cobertura é de 63,2% e estão previstas mais 40 vagas até 2029, o que fará aumentar esse número para 77,6%.

Nos centros de atividades de tempos livres, a taxa de cobertura é de 33,4%, mas também está previsto um reforço de 40 vagas até 2029, aumentando a percentagem para 44,8%.

Já no pré-escolar, contando apenas a rede de solidariedade social, a cobertura é de 12,6%, mas o estudo calcula que aumente para 15,7% em 2029, mesmo sem acréscimo de vagas, dada a diminuição de crianças.

A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória (PSD/CDS), Vânia Ferreira, destacou a importância da Carta Social como instrumento que servirá de guião para as políticas sociais no concelho e que complementa a Estratégia de Combate à Pobreza e Exclusão Social, apresentado em 2024.

“Há medidas que já estão a ser aplicadas e que nos garantem que estamos no bom caminho. O que pretendemos é melhorar, mediante estes diagnósticos, e o cruzamento destes dois documentos, para podermos continuar a fazer esse caminho, no sentido de nos adaptarmos cada vez mais às realidades que nos são apresentadas”, salientou.

Da Carta Social, Vânia Ferreira destacou a necessidade de “reforço das respostas à comunidade sénior, com especial enfoque no apoio domiciliário e nas estruturas residenciais adaptadas à sua condição de vida”.

A autarca apontou ainda a necessidade de “respostas para a articulação entre a vida profissional e o apoio aos filhos”, face ao aumento das famílias monoparentais (17,5% entre 2011 e 2021), e de “respostas que tornem a saúde mental como fator transversal do desenvolvimento pessoal e não como uma mera patologia”.

Na estratégia de combate à pobreza, o município foca-se em medidas de habitação, educação e emprego.

A Carta Social também identifica a carência habitacional como principal desafio na área da família e comunidade, mas Gualter Couto considerou que já existem respostas para colmatá-la.  

“A habitação tem tido a resposta com o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] e a Câmara esteve à altura dessa resposta. É um problema que está a ser solucionado, há outros que vão exigir mais investimento público”, explicou, referindo-se às respostas sociais para idosos.

O concelho da Praia da Vitória tem 48 equipamentos e respostas sociais, maioritariamente na área da infância e juventude (43,8%) e de apoio a idosos (45,8%), divididas por 20 entidades.