Há um espaço na Covilhã que empresta ferramentas para reparações
Quem tem pequenas reparações em casa para fazer e precisa de um berbequim, de uma serra elétrica, de um serrote, de uma parafusadora, de um martelo, de uma máquina de costura para alguns arranjos, não tem de ir comprar. Na Covilhã, foi criada a Bancada de Ferramentas, onde esses objetos são emprestados gratuitamente pela cooperativa de intervenção social Coolabora.
“O objetivo é disponibilizar um conjunto de ferramentas e utensílios de que as pessoas não precisam regularmente e contribuir para que haja uma preocupação com o meio ambiente, para que se possa poupar dinheiro e poupar espaço em casa ao comprar coisas que não são precisas com assiduidade”, explica Rosa Carreira, fundadora da Coolabora.
A intenção é que a iniciativa tenha um propósito económico e ecológico e atender à preocupação de quem tem necessidade deste tipo de ferramentas ter acesso a elas sem as comprar.
Para isso, basta contactar a Coolabora, assinar um termo de responsabilidade para garantir a devolução e o correto manuseamento dos utensílios e devolver após o período de empréstimo. Tanto pode ser um martelo ou um berbequim para pendurar um quadro como chaves de fendas para resolver outros problemas.
Rosa Carreira explica ao Conta Lá que há utensílios que tanto podem ser levados para casa como os utilizadores deslocarem-se às instalações da cooperativa de intervenção social e executarem aí a tarefa. Seja remendar roupa, seja para converter tecidos em novos objetos, seja para fazer umas bainhas, no caso da máquina de costura.
No lançamento do projeto, na sexta-feira, 13, um conjunto de pessoas partilhou o seu saber-fazer em várias áreas e, a partir dessa partilha espontânea, existe a intenção de criar uma rede de troca de serviços, com recurso a um banco do tempo, numa lógica “de reciprocidade”.
A técnica da organização covilhanense frisa que a ideia nasceu da observação dessa necessidade enquanto cidadãs e da constatação de que há quem tenha de comprar uma destas ferramentas para utilizações únicas ou esporádicas. O pressuposto é que funcione como uma comunidade, como quem pede alguma coisa emprestado ao vizinho e devolve após a tarefa ser executada.
Rosa Carreira também vinca que a Coolabora acolhe nas suas instalações vários grupos que integram pessoas oriundas do estrangeiro, como o coro, os bordados, o Coolaboratório de jovens ativistas, as danças ou em outras iniciativas e que perguntavam como podiam arranjar esta ou aquela ferramenta.
Primeiro começou essa troca, até que a organização, com sede junto ao Jardim Público da Covilhã, decidiu formalizar esse serviço e ter disponível “um grande conjunto de ferramentas, muito completo”.
“É uma forma de a Coolabora fazer com que este seja um espaço onde as pessoas sentem que a vida pode ficar mais simples e que pode contribuir, destas maneiras mais ou menos simbólicas, para poupar o planeta do consumo excessivo de objetos que se usam e depois ficam arrumados e nunca mais ninguém pensa neles”, sintetiza, ao Conta Lá, Rosa Carreira, uma das fundadoras da Coolabora.