Mercado de arrendamento abranda: rendas sobem 0,9% em 2025
O mercado de arrendamento em Portugal está a dar sinais claros de abrandamento depois de vários anos de subidas muito acentuadas. Em 2025, as rendas aumentaram apenas 0,9% em termos homólogos, uma desaceleração significativa face ao ritmo registado em anos anteriores, segundo dados do idealista. No final do ano, o valor mediano das rendas situava-se nos 16,4 euros por metro quadrado, confirmando que os preços continuam elevados, apesar da travagem no crescimento.
Este abrandamento não é homogéneo em todo o país e esconde diferenças regionais muito marcadas. Lisboa mantém-se como o mercado de arrendamento mais caro, com uma renda média de 22,1 euros por metro quadrado, seguida do Porto, onde o valor ronda os 17,4 euros, e do Funchal, com 16,2 euros. Ainda assim, o Porto destacou-se por ser uma das poucas cidades onde as rendas recuaram no último ano, com uma descida próxima de 1%, contrariando a tendência nacional. Em sentido oposto, cidades como Ponta Delgada, Viana do Castelo e Leiria registaram subidas expressivas, algumas superiores a 12%, revelando que a pressão do mercado se está a deslocar para territórios até agora menos tensionados.
À escala regional, a maioria do país continua a registar aumentos, com destaque para os Açores, em particular a ilha de São Miguel, onde as rendas cresceram mais de 20% num só ano. Apenas um número reduzido de regiões apresentou quedas, como a Guarda e Beja, o que mostra que o arrefecimento do mercado não significa uma inversão generalizada dos preços, mas sim um ajuste desigual e ainda incipiente.
Os dados agora divulgados surgem depois de um período prolongado de forte valorização das rendas. Em 2024, os novos contratos registaram aumentos superiores a 9%, segundo o Instituto Nacional de Estatística, e em várias regiões do país as rendas acumularam subidas superiores a 70% nos últimos cinco anos, muito acima da evolução dos salários. Este histórico ajuda a explicar porque é que, apesar da desaceleração, o arrendamento continua a representar um esforço financeiro elevado para muitas famílias, sobretudo nas áreas metropolitanas e em zonas com forte pressão turística.
Especialistas apontam várias razões para este abrandamento do crescimento, incluindo algum aumento da oferta de casas para arrendar, sinais de saturação da procura em determinados mercados e uma maior dificuldade das famílias em acomodar rendas cada vez mais altas nos seus orçamentos. Ainda assim, o contexto está longe de ser de alívio generalizado. Os preços estabilizam, mas em patamares elevados, o que mantém o problema do acesso à habitação praticamente intacto.
No balanço final, o aumento de 0,9% nas rendas em 2025 mostra que o mercado de arrendamento em Portugal está a perder fôlego, mas não a corrigir de forma estrutural. As rendas continuam altas, as desigualdades territoriais acentuam-se e o impacto no custo de vida permanece significativo, sobretudo para quem vive nas grandes cidades ou depende do arrendamento como única solução habitacional.