Municípios pedem apoios urgentes para estradas e limpeza da floresta após temporal
O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses alertou que a requalificação da rede viária e a limpeza das florestas são prioridades imediatas após a Depressão Kristin.
Os municípios têm nas suas “preocupações imediatas”, na sequência do mau tempo, a requalificação da rede viária e as necessidades de limpeza da floresta e de realização dos caminhos florestais, disse hoje o presidente da associação nacional destas autarquias.
“Nas preocupações imediatas temos a necessidade de requalificação da rede diária e, para isso, solicitámos ao Governo apoios financeiros. A requalificação da rede diária vai exigir uma carga financeira muito grande e é importante que isso seja articulado, de forma a termos apoios financeiros para essas obras”, destacou o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Pedro Pimpão.
Em declarações à agência Lusa, o também presidente da Câmara Municipal de Pombal lembrou que o território foi muito afetado pela tempestade Kristin a 28 de janeiro e pelo mau tempo que se seguiu (com a destruição de milhares de casas, equipamentos e infraestruturas), sendo “muito importante manter a mobilidade”.
“Outra das preocupações que nos têm sido sinalizadas, ao nível da proteção civil, é a necessidade de limpeza da floresta e de realização dos caminhos florestais. Temos uma carga de combustível muito grande na floresta”, acrescentou.
Segundo o presidente da ANMP, há necessidade de serem retiradas toneladas de madeira da floresta, num curto espaço de tempo, para evitar um maior risco de incêndios florestais.
“Já há vários estudos que nos dizem que se as florestas não forem limpas rapidamente, nos próximos dois meses, vamos ter um período de verão muito mais difícil”, salientou.
Para uma mais rápida limpeza das florestas, a ANMP solicita um reforço das equipas nas zonas mais afetadas, no âmbito de um princípio de solidariedade entre territórios.
Na prática, a associação defende que equipas de sapadores florestais sejam afetadas em maior número a estas regiões, com uma “participação ativa” por parte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
No que toca à componente de apoio às famílias e às empresas, Pedro Pimpão assinalou a importância de se reforçarem os mecanismos de ajuda.
“Temos essa expectativa, também no âmbito do PTRR [Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência], de realmente haver um envelope financeiro associado que nos permita avançar com projetos. Não só de recuperação das nossas infraestruturas municipais, mas também projetos que sejam transformadores para os nossos territórios”, esclareceu.
O autarca disse ainda que, no seguimento da tempestade Kristin, muitas pessoas acabaram por ser sentir isoladas, ao terem ficado sem eletricidade e comunicações.
“Uma das prioridades tem que ser a criação de centros comunitários de emergência, de apoio à população em cada uma das freguesias. Percebemos que no PTRR há essa direção, de dotar as freguesias de geradores, equipamentos de comunicação satélite, infraestruturas, equipamentos que façam com que em cada uma das freguesias haja um ponto de apoio à população”, frisou.
De acordo com o representante, é necessário ir ainda mais além, dotando esses centros comunitários de emergência com capacidade para fornecer refeições quentes e banhos à população: “Queremos garantir um conjunto de apoios num contexto em que falha tudo, para as pessoas não se sentirem abandonadas. Já percebemos que estes fenómenos climáticos vão acontecer cada vez com mais regularidade.”
Quanto ao regresso à normalidade nos territórios mais afetados, acredita que “vai demorar vários anos” e “provavelmente nada vai ser como antes”.
“Aquilo que eu tenho falado é numa nova normalidade, tal foi o impacto que essas tempestades tiveram nos nossos territórios, não só físicos, mas também na própria população, que sinto que precisa de um ânimo, de um estímulo diferente. E é responsabilidade dos autarcas e dos governantes conseguirmos dar uma mensagem de esperança e uma visão de futuro”, concluiu.
Pelo menos 18 pessoas morreram em Portugal entre janeiro e fevereiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.