CIM da Beira Baixa diz que centrais solares têm "efeitos nocivos" na região

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Beira Baixa alerta o governo para os impactos das centrais solares da Beira e Sophia. Em causa está, por exemplo, a ocupação de terrenos que poderiam ser usados para agricultura. 
Agência Lusa
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15 jan. 2026, 14:23

Painéis solares
Fotografia: CIM diz que projeto tem efeitos bastante nocivos para o território (Nuno Fonseca)

A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Beira Baixa reafirmou o compromisso com a transição energética, mas alerta o Governo que os projetos das duas centrais solares para a região “têm efeitos bastante nocivos” para o território.

“Os autarcas (da CIM) manifestaram o compromisso com a transição energética, mas consideraram que os projetos em questão (centrais solares da Beira e Sophia) têm efeitos bastante nocivos para o território” explicou a Comunidade, numa nota de imprensa enviada esta quinta-feira à agência Lusa.

Esta tomada de posição foi transmitida ao Governo durante uma reunião, na terça-feira, entre a CIM da Beira Baixa e a ministra da tutela, Maria da Graça Carvalho, o secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Barroca, e o Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado.

Segundo os autarcas, a ocupação de solos com grande aptidão para a produção agrícola é um dos pontos negativos apontados aos projetos, assim como os efeitos perniciosos para a economia rural, saúde pública e impactos na biodiversidade, que podem comprometer a atração e fixação de habitantes.

“Tanto a ministra como o secretário de Estado sublinharam a importância da transição energética, e consideraram a necessidade de rever os projetos, entendendo que o valor da paisagem e as preocupações das populações devem ser tidas em conta”, sublinhou a CIM da Beira Baixa.

Os autarcas realçaram ainda junto da tutela que a salvaguarda do património natural e a preservação do potencial económico dos territórios rurais “não são negociáveis”, deixando claro que não está em causa a obtenção de compensações.

A CIM da Beira Baixa alertou ainda a tutela para um problema estrutural que afeta a Barragem Marechal Carmona, em Idanha-a-Nova.

“O presidente da APA disse conhecer (o problema estrutural)”, vincou a comunidade.

Durante a reunião, a CIM da Beira Baixa reiterou também a defesa da construção da Barragem de Ocreza/Alvito.

Segundo a Comunidade, a ministra do Ambiente informou que a barragem está entre as três prioritárias da Estratégia Nacional de Gestão da Água, estando dependente da nova concessão para produção de energia hidroelétrica no aproveitamento hidroelétrico do Cabril.

A Comunidade da Beira Baixa integra os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão, todos no distrito de Castelo Branco.