Alenquer reforça prevenção de incêndios com trator do ICNF para gestão de combustível

A Câmara de Alenquer aprovou a cedência de um trator florestal pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para reforçar a gestão de combustível e a prevenção de incêndios no concelho, com intervenções previstas em 80 hectares por ano e um acordo de comodato de cinco anos.
Mariana Moniz
Mariana Moniz Jornalista
05 jan. 2026, 11:18

Trator
Fotografia: Trator | Unsplash

A Câmara Municipal de Alenquer aprovou a minuta de um contrato de comodato com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para a cedência de um trator florestal com as respetivas alfaias, que será utilizado na gestão de combustível e na defesa da floresta no concelho. O objetivo é reforçar a prevenção de incêndios rurais, numa altura em que esta estratégia é assumida como prioritária a nível nacional, depois de anos marcados por grandes fogos e elevada área ardida.

O equipamento será utilizado em ações como a limpeza de terrenos municipais, a criação e manutenção de faixas de gestão de combustível, a abertura de aceiros e a manutenção de povoamentos florestais. Entre as áreas a intervencionar estão zonas sensíveis do concelho, como o Monumento Natural Local do Canhão Cérsico de Ota, que ocupa mais de 300 hectares. O contrato estabelece a realização de, pelo menos, 80 hectares de trabalhos por ano, garantindo uma intervenção regular e sistemática no território.

O acordo tem a duração de cinco anos e prevê que, no final desse período, caso todas as obrigações sejam cumpridas, o trator e as alfaias passem a integrar o património municipal. Para a autarquia, esta solução permite ganhar autonomia operacional, reduzir custos associados à contratação externa e reforçar a capacidade de resposta local na prevenção de incêndios, sobretudo fora da época crítica.

A cedência do trator enquadra-se numa estratégia mais ampla de gestão integrada de fogos rurais, promovida pelo ICNF e pelo Estado, que aposta cada vez mais na prevenção em detrimento de uma resposta exclusivamente centrada no combate. Nos últimos anos, Portugal tem vindo a reforçar os meios destinados à gestão de combustível, reconhecendo que a acumulação de vegetação e mato é um dos principais fatores de propagação e intensidade dos incêndios.

Os números ajudam a explicar essa aposta. Entre 2000 e 2023, Portugal registou dezenas de megaincêndios e, no período entre 2015 e 2024, contabilizou em média mais de 12 mil incêndios rurais por ano, com uma área ardida média anual superior a 120 mil hectares, apesar das grandes variações entre anos. Mesmo em períodos em que o número de ocorrências diminui, a área ardida continua a ser significativa, muito influenciada por condições meteorológicas extremas, como ondas de calor, seca prolongada e ventos fortes.

É precisamente neste contexto que a gestão de combustível assume um papel central. A utilização de maquinaria pesada permite reduzir a carga de vegetação combustível no solo, criar descontinuidades na paisagem e facilitar o acesso e a atuação dos meios de combate, diminuindo a probabilidade de incêndios de grandes dimensões e a sua intensidade quando ocorrem.

Este tipo de investimento tem sido apoiado por vários programas públicos, incluindo iniciativas financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência, que visam dotar os municípios de equipamentos e meios técnicos para atuar preventivamente no território. A lógica é clara: intervir antes do verão, de forma planeada e contínua, em vez de reagir apenas quando o fogo já está ativo.

No caso de Alenquer, a cedência do trator do ICNF representa mais do que um reforço pontual de meios. É um passo concreto numa mudança de paradigma na gestão florestal, que procura passar de um modelo reativo para um modelo preventivo, centrado na redução do risco, na proteção das populações e na preservação do território a médio e longo prazo.