Ovos, bacalhau, perna de peru, chocolate e óleo alimentar: está tudo mais caro neste Natal
À medida que o Natal se aproxima, o aumento dos preços dos alimentos para a mesa da consoada verifica-se cada vez mais. De acordo com os dados mais recentes da Deco Proteste, o cabaz alimentar de Natal, composto por 16 produtos essenciais, pode custar, atualmente, cerca de 53,45 euros, um dos valores mais elevados desde que esta análise começou, em 2022, quando custava aproximadamente os 46,37 euros.
Embora este valor represente uma ligeira descida face à semana anterior, menos 1,08 euros abaixo, a comparação com o mesmo período de 2024 mostra que o cabaz está mais caro, o que confirma uma tendência de encarecimento da ceia de Natal.
“Em relação ao ano passado, o cabaz está, por esta altura, mais alto, com especial incidência para produtos que são a base da alimentação dos portugueses neste período da consoada”, afirma Nuno Pais de Figueiredo, porta-voz da Deco Proteste, que alerta que “isto vai afetar diretamente a carteira de todos quando decidirem ir ao supermercado para fazer as compras de Natal”.
A análise da Deco Proteste revela que 11 dos 16 produtos essenciais estão mais caros em termos homólogos. Entre os aumentos mais significativos destacam-se os ovos, o chocolate para culinária, a perna de peru e o bacalhau graúdo.
Os ovos são um dos casos mais notáveis, com um aumento de preço próximo dos 30%, passando a custar 2,10 euros a cada meia dúzia. Para Nuno Pais de Figueiredo, trata-se de um exemplo de produtos que “nunca recuperaram os valores iniciais, com aumentos quase semanais”. Sobre as possíveis causas, admite que “podem estar associadas a limitações na produção, nomeadamente a suspeitas de gripe das aves, mas não há nada de concreto que nos permita afirmar taxativamente que é essa a razão”.
O chocolate para culinária, apesar de ter registado uma descida na última semana, continua a apresentar uma subida homóloga de 28%, sendo um dos produtos que mais encareceu no último ano. Já a perna de peru, uma alternativa comum ao bacalhau, na ceia, custa atualmente cerca de 5,81 euros por quilo, valor que representa uma subida entre 10% e 14% face a dezembro de 2024.
Ainda assim, o responsável sublinha que o mais relevante é o impacto no bolso dos consumidores: “O que é um facto é que estes produtos têm aumentado e não voltaram a recuperar os valores iniciais”.
Subidas recentes em bens essenciais
Nos dias que antecedem o Natal, alguns produtos registaram alguns aumentos. O óleo alimentar destacou-se como o produto que mais encareceu numa única semana, com uma subida próxima dos 12%, passando de cerca de 1,95 euros para 2,20 euros. Também o leite meio-gordo registou um aumento de cerca de 6%, aproximando-se dos 99 cêntimos por litro.
“Há produtos que são a base da mesa dos portugueses que continuam com aumentos acima dos 10% e, em alguns casos, acima dos 30% em relação ao ano passado”, sublinha Nuno Pais de Figueiredo, reforçando que “o valor médio que um português pagava para a consoada no ano passado já não vai chegar para os mesmos produtos este ano”.
Bacalhau e peru continuam a ser os mais caros
O bacalhau e o peru são dos produtos que mais encarecem a ceia de Natal.
Entre o dia 1 de janeiro e o dia 10 de dezembro, o preço de um quilo de bacalhau graúdo passou de 15,27 para 16,87 euros, uma subida de 1,60 euros, correspondente a 10,48%. O valor mais alto foi atingido a 10 de dezembro, enquanto o mais baixo do ano foi de 14,70 euros, em março. Atualmente, um quilo de bacalhau graúdo pode custar cerca de 16,74 euros.
O porta-voz da Deco Proteste admite que a proximidade do Natal poderá estar na origem desta evolução: “É curioso que o bacalhau tenha aumentado com o aproximar do Natal. Provavelmente com o aumento da procura, chegou a um valor muito elevado nas últimas semanas”, lembrando que se trata de um produto consumido ao longo de todo o ano, mas com maior incidência nesta época.
Contudo, apesar de algumas alternativas, como o bacalhau demolhado ultracongelado, a diferença de preço nem sempre se traduz numa poupança, já que o rendimento do bacalhau para cozinhar influencia o custo por quilo.
Também a perna de peru ficou mais cara este ano, passou de 5,28 para 5,69 euros por quilo, uma subida de 0,59 euros, o que representa 11,53%. Já os bifes de peru aumentaram ainda mais, cerca de 15,54%, subindo de 8,18 para 9,46 euros.
Natal progressivamente mais caro para as famílias
Em conclusão, os dados confirmam que o Natal deste ano será mais caro do que nos anos anteriores: “O valor que os portugueses gastam agora já não chega para comprar as mesmas coisas que compravam há um ano”, sublinha Nuno Pais de Figueiredo, acrescentando que, como “os salários não têm acompanhado o aumento quase semanal do valor do cabaz, isto vai sufocar as finanças das pessoas”.
Para tentar amenizar estes impactos, a Deco Proteste aconselha os consumidores a planeaream as suas compras.
“Recomendamos que as pessoas façam um planeamento mensal do que é necessário em casa. Assim, conseguem economizar algum dinheiro e evitar idas frequentes ao supermercado, que acabam por incentivar compras por impulso”, explica.
Para muitas famílias, isto traduz-se na necessidade de ajustar quantidades, procurar promoções ou optar por alternativas.
