O Cedro de Runa é a Árvore do Ano. Conta uma história com mais de 70 anos
No largo da Igreja de Runa, no concelho de Torres Vedras, foi plantada, há 75 anos, uma pequena semente que se transformaria no Cedro de Runa. Este cedro foi o vencedor da mais recente edição do concurso "Árvore do Ano" e vai representar Portugal na competição europeia.
Plantado por Alfredo Cebola, então funcionário da Junta de Freguesia de Runa, a árvore cresceu num dos espaços centrais da aldeia, tornando-se testemunha viva da comunidade. O cedro tem sido ponto de encontro entre gerações, sombra para conversas ao fim da tarde, palco de celebrações religiosas e testemunha silenciosa de partidas e regressos. O homem que lançou a semente, já falecido, deixou um legado duradouro: uma árvore que é parte da memória coletiva de Runa.
Com mais de 28 metros de diâmetro e ramos podados em forma de caramanchão, o cedro foi a proposta mais votada pelos portugueses com 3.080 votos. A votação nacional, que decorreu entre dezembro 2025 e janeiro deste ano, mobilizou comunidades de norte a sul do país e contou com 51 candidaturas, num envolvimento público que superou a edição anterior, ultrapassando os 18 mil votos.
A vitória garante a representação de Portugal na fase europeia da Árvore Europeia do Ano (European Tree of the Year), que acontecerá em fevereiro. Na nova etapa, o cedro vai competir com as árvores eleitas em 15 outros países europeus, numa votação internacional que envolve milhares de cidadãos e promove o reconhecimento das árvores enquanto património natural, cultural e emocional.
A árvore eleita, na ciência apelidado de cedro do Bussaco, começou por ser frágil e de aspeto amarelado, mas o cuidado garantiu que atravessasse mais de sete décadas, tempo suficiente para crescer e tornar-se o coração verde da freguesia de Runa. Pelo caminho, encontrou adversidades, incluindo um ciclone em 2009 que partiu parte da copa superior.
Um símbolo da aldeia de Runa
O concurso Árvore do Ano Portugal integra a iniciativa europeia Árvore Europeia do Ano (European Tree of the Year), uma competição que distingue não só as árvores pela beleza, mas pelas histórias marcantes e a forte ligação às comunidades onde se inserem. Desde 2011 que a Associação de Parceria Ambiental (EPA) promove o concurso, nacionalmente é representado pela União da Floresta Mediterrânica (UNAC), que continua a apostar na descoberta e reconhecimento do património natural.
Pedro Batista, elemento do executivo da Junta de Freguesia de Runa, explica ao Conta Lá que a história da árvore vai muito além da plantação. Em conversa com os cidadãos mais antigos da aldeia, descobriu que “o Sr. Alfredo foi quem plantou o cedro e o desejo de erguer a árvore surgiu depois de ouvir falar num cedro instalado no jardim do asilo militar de Runa”. Neste local, onde a entrada era interdita aos civis, trabalhava um amigo do Sr. Alfredo, então cozinheiro no asilo mandado construir por uma Infanta Princesa, da família de Bragança”. Terá sido este colega que trouxe as mudas do cedro que hoje figura no centro da freguesia.
Numa publicação da Junta de Freguesia de Runa, lê-se que o cedro merecia “afirmar-se como símbolo da aldeia de Runa e do concelho de Torres Vedras”.
Na classificação final da edição nacional deste ano, o segundo lugar foi atribuído à Árvore da Borracha Australiana, localizada em Ponta Delgada, nos Açores, tendo ficado em terceiro lugar a Canforeira da ESAC, em Bencanta, Coimbra, ambas igualmente distinguidas pelas histórias que as ligam às suas comunidades.