Novo ano, novas contas: há estratégias essenciais para poupar e gerir melhor o seu dinheiro em 2026
O início do ano é, habitualmente, um momento de balanços, novos objetivos e as finanças pessoais estão quase sempre nas prioridades da lista. Em Portugal, poupar continua a ser difícil para muitas famílias, pressionadas pelo aumento do custo de vida, da habitação e das despesas essenciais.
Mas há, no entanto, um provérbio antigo que continua bastante atual: “o dinheiro não é de quem o ganha, mas de quem o poupa”. Para o economista Filipe Grilo, o segredo está menos no valor do rendimento e mais na forma como ele é gerido ao longo do tempo. Em declarações ao Conta Lá, o especialista deixa cinco ideias-chave para começar o ano de 2026 de uma forma mais consciente e preparada financeiramente.
Ver a poupança como um presente para o futuro
Mais do que guardar dinheiro, a poupança deve ser vista como um ato de cuidado consigo próprio. Para Filipe Grilo, poupar é “uma prenda que damos a nós no futuro”. Cada esforço feito hoje é uma transferência de dinheiro para o “eu” de amanhã, que vai enfrentar imprevistos, despesas ou até objetivos importantes. O professor reforça que treinar esta visão ajuda a valorizar os sacrifícios feitos no presente e aumenta a motivação para manter a disciplina financeira.
Não basta poupar, é preciso investir
Mas poupar, por si só, não chega. Filipe Grilo alerta que o dinheiro guardado sem rendimento perde o seu valor ao longo do tempo devido à inflação. Por isso, aconselha que a poupança seja acompanhada por um investimento, mesmo em produtos conservadores como os certificados de aforro, que são seguros, mas rendem mais do que deixar o dinheiro parado. A ideia é que o esforço feito hoje não se perca e o dinheiro possa crescer, mesmo que lentamente, em direção ao futuro.

Tabela: Direitos Reservados
Na tabela apresentada acima é apresentada a evolução de 10.000€ ao longo do tempo. Por exemplo, daqui a 40 anos, se não houver qualquer investimento, esses 10.000€ terão poder de compra equivalente a apenas 4.529€ nos dias de hoje.
Fazer um orçamento e ter consciência das contas
A terceira recomendação é saber exatamente quanto se ganha e quanto se gasta. Segundo o economista, muitos portugueses não sabem ao certo quanto ganham, quanto gastam e quais são as despesas verdadeiramente essenciais. Esta falta de planeamento impede criar estratégias de poupança eficazes. Avaliar se o gasto imediato compensa ou se vale a pena adiar a despesa é o primeiro passo para decisões financeiras mais inteligentes. Criar esta consciência evita que imprevistos se transformem em crises e ajuda a tomar decisões mais inteligentes sobre o dinheiro.
Criar um fundo de emergência
Um dos erros mais comuns, segundo o professor, é não planear as suas finanças pessoais para emergências ou imprevistos. Acidentes, doenças ou despesas inesperadas acabam por surgir e, sem uma “almofada” financeira, podem comprometer todo o orçamento.
A recomendação passa por criar um fundo de emergência equivalente, idealmente, a pelo menos seis meses de despesas essenciais. Ter este fundo garante que, mesmo em situações inesperadas, o dinheiro reservado para investimentos não precise de ser usado, preservando os objetivos de longo prazo.
Gerir o risco e pensar a longo prazo
O maior aliado do investimento é o tempo. Filipe Grilo explica que, embora exista um risco a curto e médio prazo, a probabilidade de perda diminui significativamente a partir de 15 ou 20 anos de investimento. Quanto maior for o horizonte temporal, maior será a capacidade de absorver oscilações e obter melhores rendimentos. O professor reforça que o medo de investir na bolsa ou em índices de mercado é natural nos primeiros anos, mas que a paciência transforma esse risco:
“Se esperarmos tempo suficiente, o risco de perder dinheiro é praticamente zero. O melhor amigo do risco é a espera”, afirma o economista.
Num ano que se antevê exigente para as famílias, Filipe Grilo afirma que não é preciso ganhar mais para começar a poupar. Organizar melhor o que se tem, investir com consciência e preparar-se para imprevistos são passos simples que podem fazer uma grande diferença ao longo de 2026.