João Amorim comprou "meia aldeia" no Gerês para dinamizar a atividade local

Criador de conteúdos digitais comprou, em 2023, o lugar de Varziela, na aldeia de Castro Laboreiro. Agora, as obras arrancaram e as ideias começam a sair do papel. Jovem, de 34 anos, dá mais pormenores sobre o projeto, em entrevista ao Conta Lá.
 
Joana Amarante
Joana Amarante Jornalista
12 jan. 2026, 08:00

Imagem de drone da aldeia que vai ser reabilitada.
Fotografia: Obra deve estar concluída em 2027.

Há três anos, João Amorim, um criador de conteúdos digitais sobre viagens, descobriu numa ida à aldeia de Castro Laboreiro que todas as habitações do lugar de Varziela estavam abandonadas e à venda por 100 mil euros. Percebendo o potencial do lugar e o facto de ser pouco explorado, decidiu comprar as casas e iniciar-se num projeto de recuperação da aldeia para lhe dar uma nova vida. Agora, três anos depois, as obras arrancaram finalmente. 

O anúncio do arranque das obras foi divulgado pelo próprio nas suas redes sociais. Um momento simbólico que surge três anos depois da ideia para o projeto “Fundo da Aldeia da Varziela”. E a ideia é simples: “Ter lá turistas que vão acabar por contribuir para o sucesso dos negócios locais, das empresas que já existem, das atividades turísticas, dos restaurantes, dos cafezinhos que existem em Castro de Laboreiro”, explica João Amorim, em entrevista ao Conta Lá.

Terá cerca de 13 alojamentos diferentes, entre quartos únicos ou T3, com uma capacidade total para 48 pessoas: “Todas as casas têm na parte de baixo uma parte onde ficavam as vacas e onde ainda tem feno, que vão ser quartos ou salas. Depois temos quatro currais pequeninos, que eles chamam cortes de vacas, que vamos transformar em quatro alojamentos pequeninos”, descreve. 

A arquitetura pretende seguir um modelo moderno mas que mantenha a essência das casas antigas, que ao longo dos anos foram sofrendo alterações. João Amorim esclarece que vai tentar “ter algo moderno e confortável para que as pessoas possam estar no verão, mas principalmente no inverno, com lareiras e aquecimento”. 

O investimento vai rondar os 3 milhões de euros e o jovem tem o apoio de um financiamento europeu. Os preços, difíceis ainda de prever, vão variar consoante o imóvel.

“A nossa ideia é fazer uma coisa topo de gama, mas o facto de nós termos vários tipos de alojamento, com tamanhos diferentes, vai-nos permitir também ter preços diferentes para carteiras diferentes”, confessa o jovem criador de conteúdos. 

Está ainda a ser estudada a possibilidade de fazer um albergue “para quem vai caminhar ou tem menos possibilidades, para grupos que queiram fazer retiros". "Essas camas ainda serão mais baratas que qualquer outro quarto”, explica. 

Tudo indica que o projeto estará pronto em maio de 2027. 

O Gerês era um sítio onde já tinha estado várias vezes em pequeno e que nunca esqueceu. Mas foi quando decidiu fazer o Caminho de Santiago, em específico o Caminho da Geira e Arrieiros, que descobriu Castro Laboreiro e a Varziela.

“Mais ou menos ao quarto dia decidi que queria ficar a descansar e Castro Laboreiro parecia-me uma boa opção. Até porque já conversava com um rapaz que é o Paulo, dono de uma empresa de atividades e de um restaurante lá na zona, que me disse que me mostrava a localidade. Foi aí que eu conheci a Varziela, ao pôr do sol, e percebi que era um sítio bonito, mesmo ao lado do rio”, lembra.

Inicialmente, juntou-se o pai e um primo. Atualmente, são já cinco as pessoas envolvidas no negócio.

“A partir daí, foi sempre uma aventura, porque nós não tínhamos absolutamente noção nenhuma de nada, continuamos a não ter e é uma loucura.”

É mais um projeto no percurso deste jovem de 34 anos, natural de São João da Madeira, que divulga conteúdos sobre viagens em todo o mundo e, que aos dias de hoje, já tem 278 mil seguidores nas redes sociais. Uma trajeto que se afastou da área da Bioquímica, que estudou. “Eu era bom aluno e normalmente os bons alunos optam por ir para a faculdade, faça ou não faça sentido. Acabei por escolher bioquímica, no meio de algumas opções e só depois quando comecei a estagiar no final do mestrado, apercebi-me que detestava o que estava a fazer”, explica.

João Amorim tinha, no entanto, uma certeza: “Sabia que queria viajar, mas também não tinha muitas referências. Acho que não existia assim ninguém em Portugal a partilhar conteúdo de viagens e a mostrar que se viaja com pouco dinheiro”, admite. 

Através da Associação Gap Year Portugal ganhou uma bolsa para poder fazer um ‘Gap Year’ (ano sabático). Após essa experiência, começou a sua carreira como líder de viagens para o Peru, Guatemala e mais tarde para a Colômbia e Islândia. 

“Comecei a partilhar as viagens no Instagram, e o objetivo das minhas partilhas era tentar atrair pessoas que quisessem viajar comigo, não era propriamente porque eu achava que ia ser um influencer ou sequer que entendesse o que é que isso quer dizer”, conta o jovem.

Hoje em dia, João Amorim continua a viajar por todos os cantos do mundo e ainda organiza esporadicamente algumas viagens como líder. Ainda assim, Portugal não está fora da lista de destinos: “O meu objetivo passa por fazer aquilo que me apetece, e às vezes é estar em Portugal, outras vezes é estar fora. Gosto muito do Douro Internacional, ou da Costa Vicentina, por exemplo, porque sinto que as pessoas gostam de me ver por cá, a promover os seus lugares”, sublinha.