Governo prevê melhorar em 2027 capacidade do Intercidades entre Lisboa e Évora

Segundo a tutela, “a CP não dispõe atualmente de capacidade para reforçar de forma estrutural as composições” do IC na Linha do Alentejo, realizando, sempre que possível, reforços pontuais em “períodos de maior procura (segundas e sextas-feiras)”.
Agência Lusa
Agência Lusa
09 fev. 2026, 16:46

O Governo admitiu que o serviço Intercidades (IC) entre Lisboa e Évora está limitado pela “reduzida disponibilidade de carruagens” desta tipologia, prevendo “melhor capacidade de resposta” em 2027 com a entrada em circulação de novos comboios.

Estas explicações constam da resposta do gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, a uma pergunta que o deputado do PS por Évora, Luís Dias, lhe dirigiu em janeiro, consultada hoje pela agência Lusa no ‘site’ do parlamento.

Segundo a tutela, “a CP não dispõe atualmente de capacidade para reforçar de forma estrutural as composições” do IC na Linha do Alentejo, realizando, sempre que possível, reforços pontuais em “períodos de maior procura (segundas e sextas-feiras)”.

“A operação está limitada pela reduzida disponibilidade de carruagens IC, resultante de indisponibilidades acumuladas e da necessidade de assegurar a oferta nos restantes eixos de maior procura”, argumentou.

Na Linha do Alentejo, revelou o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz, o número médio mensal de passageiros nos serviços IC e Regional “foi 39.000 em 2023, 44.300 em 2024 e 55.600 em 2025 (janeiro a novembro)”.

“Estes valores resultam num aumento de 13% em 2024 e 25% em 2025, o que reflete o impacto do Passe Ferroviário Verde”, disse.

Em meados de janeiro, o deputado do PS Luís Dias questionou o Governo sobre a falta de carruagens de 2.ª classe no serviço IC entre Lisboa e Évora, alertando que os utilizadores enfrentam dificuldades para marcar viagens.

O parlamentar relatou então que “muitos utilizadores não conseguem marcar a sua viagem ou conseguem marcar a viagem de ida, mas não a de regresso” e “são obrigados, apesar de deterem passe, a comprar viagens simples para conseguirem usar o comboio”.

Nesta resposta, o Ministério das Infraestruturas e Habitação revelou que, quanto a novos comboios, as unidades que “serão afetadas ao serviço da Linha do Alentejo são as do concurso de aquisição de 22 automotoras ‘Stadler’”, concretizado pela CP em 2020.

“A primeira unidade bimodo [diesel e elétrica] já se encontra no país para início do processo de homologação”, realçou, indicando que “as restantes serão entregues de forma faseada ao longo de 2026 e 2027”.

De acordo com a tutela, a CP planeia colocar estes novos comboios a circular nas Linhas de Alentejo, Oeste e Tomar.

“As características técnicas, nomeadamente das unidades bimodo, considerando que o troço Casa Branca – Beja ainda não está eletrificado, são particularmente adequadas ao serviço no Alentejo, beneficiando os utilizadores dos distritos de Évora e Beja”, assinalou.

Na resposta, o gabinete do ministro Miguel Pinto Luz salientou ainda que a CP está a “avaliar a possibilidade de integrar mais carruagens Arco nos serviços IC”, com vista a “reforçar a frota de longo curso e melhorar a capacidade e fiabilidade da oferta”.

Lembrando que estas composições estão a ser modernizadas em oficina, a tutela acrescentou que, no final do 1.º trimestre deste ano, “ficará concluído o trabalho de modernização de mais três carruagens Arco, que se juntarão às 26 que já estão ao serviço”.

“A disponibilidade do novo material circulante permitirá em 2027 melhorar a capacidade de resposta da oferta no Alentejo”, acrescentou.