Ciclo de Órgão de Leiria resiste ao mau tempo e regressa com cinco concertos

Entre 14 de março e 25 de abril, o programa percorre vários períodos estilísticos, mas fica marcado pela ausência do órgão histórico do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação.
Agência Lusa
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02 mar. 2026, 09:08

A depressão Kristin afetou locais previstos para a quarta edição do Ciclo de Órgão de Leiria, mas a iniciativa ajustou o programa e está de regresso com cinco concertos em Leiria, Caldas da Rainha e Fátima.

Entre 14 de março e 25 de abril, o programa percorre vários períodos estilísticos, do Barroco à música contemporânea, mas fica marcado pela ausência do órgão histórico do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação.

Construído no ano de 1812/1813 por Joaquim António Peres Fontanes e modernizado em 1944 por Manuel Ferreira dos Reis, do Porto, o instrumento passou em 1995 da Sé de Leiria para o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação e é habitualmente uma das atrações do Ciclo de Órgão de Leiria.

Contudo, o Santuário foi um dos alvos da tempestade de 28 de janeiro. A tempestade provocou a queda de parte do campanário para o interior da igreja provocando um enorme buraco no teto, entre outros danos.

O órgão não foi diretamente afetado, mas a situação do Santuário, que motivou uma intervenção de salvaguarda com caráter de urgência ordenada pelo instituto do Património Cultural, inviabiliza a sua utilização no Ciclo de Órgão, como estava previsto.

O concerto agendado para o local foi transferido para a Igreja dos Franciscanos, também em Leiria, com recurso a um órgão positivo.

O ciclo arranca com dois dos principais concertos.

No dia 14, a Igreja dos Franciscanos recebe "Teclas em diálogo", pelo Trio Ad-Hoc, constituído por Miguel Jalôto (cravo), Sérgio Silva (órgão positivo) e João Santos (orgue-célesta).

“É uma junção quase improvável de um órgão, um cravo e um harmónio - três teclas em diálogo”, referiu à agência Lusa a diretora artística, Rute Martins.

Este ano, uma vez mais, dá-se destaque ao orgue-célesta, “instrumento de grande valor musical, frequentemente subestimado”, e que o investigador João Santos tem recuperado, “reafirmando-o como um instrumento autónomo, mas capaz de integração no contexto da música de câmara”.

No dia 15, atua em Fátima, no distrito de Santarém, a convidada internacional desta edição: na Basílica de Nª Srª do Rosário, a organista italiana Ilária Centorrino interpreta uma transcrição para órgão solo de “O Carnaval dos animais”, de Camille Saint-Saëns.

Na Igreja do Pópulo, nas Caldas da Rainha, o organista Daniel Oliveira e o Ensemble Vocal da Academia de Música de Santa Cecília apresentam "Do medieval ao séc. XVIII", no dia 22.

Novamente em Leiria, no dia 25, “A voz da alma: Música de devoção e afeto” leva Ricardo Toste (órgão) e Eva Braga Simões (soprano) à Igreja dos Franciscanos.

“Três séculos de música para órgão” são percorridos por António Mota na Sé Catedral de Leiria a fechar o ciclo, no dia 25 de abril.

Segundo o Orfeão de Leiria, a iniciativa pretende dar “continuidade ao trabalho de valorização do património organístico da região” e divulgar “a música escrita para este nobre instrumento”.

A organização realçou que este é “o único projeto dedicado exclusivamente à promoção da música para órgão e à preservação do património organístico existente na região”.

Além dos concertos, haverá visitas de estudo ao interior do grande órgão da Sé de Leiria, destinadas a alunos do 1.º ciclo, e, no dia 30 de maio, realiza-se um ‘workshop’ de harmónio, com recital. Em fevereiro, realizou-se já uma formação para jovens organistas, no Santuário de Fátima.