Câmara de Sobral de Monte Agraço redistribui pelouros após demissão da vice-presidente

A presidente da Câmara de Sobral de Monte Agraço procedeu hoje à redistribuição dos pelouros entre os vereadores em funções executivas, na sequência da demissão da vice-presidente Orada Chambel e da entrada de Carlos Pombo para o executivo municipal.
Agência Lusa
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09 jan. 2026, 08:48

Raquel Soares Lourenço
Fotografia: Raquel Soares Lourenço, Presidente CM Sobral de Monte Agraço | Facebook

A presidente da Câmara de Sobral de Monte Agraço redistribuiu hoje os pelouros pelos eleitos em funções executivas, depois de Carlos Pombo ter substituído a vice-presidente Orada Chambel, que apresentou a demissão no dia 30 de dezembro.

Segundo um despacho hoje assinado, a presidente Raquel Soares Lourenço (PSD/CDS-PP/PPM/MPT) passa a ter os pelouros da representação institucional, habitação, saúde, freguesias, proteção civil, gestão financeira, obras municipais, ambiente, ordenamento do território e urbanismo, entre outros.

O vereador Carlos Pombo (PSD/CDS-PP/PPM/MPT), que tomou posse na reunião pública de câmara de quarta-feira e a quem foi entregue a vice-presidência, assumiu, entre outros, os pelouros da educação, ação social, turismo, gestão e modernização administrativa, mercados e feiras.

O vereador Diogo Gregório (CDU), que estava a meio tempo e passou a estar a tempo inteiro, decisão tomada na quarta-feira por maioria com dois votos contra (CDU e PS), é responsável pelo desporto, cultura, associativismo, mobiliário urbano e serviço médico-veterinário, entre outros.

Todos eles ficam responsáveis pelo acompanhamento do processo de descentralização nas áreas respetivas.

Entretanto, a vice-presidente demissionária da Câmara de Sobral de Monte Agraço, Orada Chambel, interveio na reunião camarária pública de quarta-feira, no período dedicado ao público, para explicar que na base da sua renúncia está uma carta de demissão que lhe foi apresentada.

Orada Chambel disse que, a 27 de dezembro, foi chamada aos paços do concelho e, na presença dos presidentes da câmara e da assembleia municipal, “assinou a carta de renúncia nos termos em que está escrita, tal como lhe foi apresentada”.

“Não virei costas aos sobralenses, mas assinei porque entendi que não estavam reunidas as condições para continuar com o meu trabalho”, afirmou.

Questionada pela agência Lusa, a presidente da câmara, Raquel Soares Lourenço, disse que “a renúncia resultou de um processo sobre o qual falou com a professora Orada, mas pelo respeito que lhe deve” não se quis “pronunciar mais sobre o tema”.

A presidente reiterou o agradecimento do empenho e serviço de missão da autarca demissionária.

Por seu lado, o presidente da assembleia, Joaquim Biancard Cruz, disse que respeita o “trabalho e o mérito nas áreas social, cultural e educacional” da ex-vice-presidente e que não quer “entrar na chicana política deste processo”.

Orada Chambel recusou prestar esclarecimentos, remetendo para a carta de demissão, a que a Lusa teve acesso.

A “decisão foi tomada após ponderação cuidada, por motivos de natureza estritamente pessoal, que me impedem de continuar a assegurar o exercício das funções com a disponibilidade e dedicação que o cargo exige”, justificou no documento.

A Câmara de Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa e que era governada pela CDU (PCP/PEV) desde 1979, é agora liderada pela coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT, que nas eleições de 12 de outubro garantiu dois mandatos. A CDU ficou também com dois eleitos, enquanto o PS foi a terceira força política, elegendo um vereador.

A coligação de direita ganhou as eleições sem maioria na câmara e na assembleia municipal, por isso entregou pelouros ao vereador da CDU Diogo Gregório, que os aceitou a título particular.

O acordo, do qual a CDU se demarcou, permitiu alcançar maioria na câmara, mas não na assembleia municipal.