Alojamento rural em Seia reinventa-se para responder aos fenómenos meteorológicos extremos

O alojamento Chão do Rio - Turismo de Aldeia, situado na aldeia de Travancinha, em Seia, renovou a imagem. Mais do que uma alteração estética, esta transformação representa uma adaptação à natureza e aos fenómenos meteorológicos extremos.
Inês Miguel
Inês Miguel Jornalista
14 jan. 2026, 08:00

Imagem mostra uma das sete casas que fazem parte do alojamento Chão do Rio, na aldeia de Travancinha
Fotografia: Alojamento rural no concelho de Seia renova-se para resistir ao impacto das alterações climáticas

Os verões cada vez mais quentes, marcados pela ameaça dos incêndios, e os invernos mais rigorosos obrigaram a mudanças na imagem do Chão do Rio, um alojamento rural em Travancinha, no concelho de Seia. Os característicos telhados de colmo foram substituídos para darem lugar a uma solução mais duradoura e visualmente marcante.

A decisão foi pensada logo após uma tempestade, que decorreu em março do ano passado, e que causou impacto no alojamento, quando a manutenção tinha sido feita em novembro: “Foi a chamada tomada de consciência. Tivemos de encontrar uma solução mais duradoura, sustentável e visualmente marcante”, refere Catarina Vieira, proprietária do alojamento.

As manutenções na propriedade de oito hectares começaram a revelar-se insuficientes, perante os fenómenos meteorológicos extremos. 

“Aproveitávamos as giestas da limpeza dos nossos terrenos e dos vizinhos para decorar os telhados. Inicialmente, fazíamos uma manutenção de três em três anos. Devido ao risco de incêndio, em 2022 investimos em expressores com água nos telhados, mas a questão do inverno não conseguíamos controlar. No inverno, o vento é cada vez mais forte, uma manutenção anual já não era viável”, conta a responsável.

Na renovação, foram colocados lambrequins recortados e pintados na cor das janelas de cada casa, “resgatando um elemento arquitetónico decorativo do estilo romântico muito apreciado no início do século XX”.

"Agora, estes detalhes conferem uma atmosfera ainda mais mágica e romântica ao conjunto arquitetónico do Chão do Rio, reforçando o caráter poético e encantado que há muito define este turismo de aldeia”, sublinha.

Catarina Vieira, que mora em Ílhavo, mas cuja paixão pela região da Serra da Estrela a levou a apostar no turismo de aldeia, conta que estas medidas permitem reforçar a segurança do alojamento, aliando a sustentabilidade.

O Chão do Rio, que abriu portas em 2014, emprega cinco colaboradores, que residem na aldeia de Travancinha, com cerca de 400 habitantes.